No artigo AI isn’t coming for your job. It’s coming for your mind, publicado em março de 2026 pela Baillie Gifford, Tom Slater, gestor do Scottish Mortgage Investment Trust e sócio da Baillie Gifford apresenta uma reflexão sobre os efeitos da IA na cognição humana e no futuro da formação intelectual.
Slater, conhecido por suas análises sobre tecnologia, inovação e transformação social, argumenta que o impacto mais profundo da IA talvez não esteja na substituição de empregos, mas na erosão silenciosa da capacidade humana de pensar de forma autônoma. Parte dessa discussão também foi abordada por Slater no episódio “What if AI isn’t coming for your job?”
A tese central de Slater é que o maior risco da IA talvez não seja a perda de empregos, mas o enfraquecimento gradual da nossa capacidade de pensar. Ele argumenta que, à medida que estudantes e profissionais passam a terceirizar tarefas cognitivas para sistemas de IA, habilidades fundamentais começam a se deteriorar silenciosamente: memória, raciocínio profundo, concentração, aprendizado por esforço e pensamento crítico.
O artigo cita estudos que apontam um padrão inquietante, uma vez que pessoas que usam IA de forma intensiva tendem a aprender menos, reter menos informação e lembrar menos do próprio trabalho produzido. A facilidade de obter respostas instantâneas cria uma sensação artificial de domínio intelectual. Segundo o autor, muitos usuários passam a confundir acesso à informação com compreensão real.
Para Slater:
“A principal ameaça no curto prazo não é que a IA torne as pessoas menos inteligentes em algum sentido simples. É que ela cria o que pesquisadores chamam de ‘ilusões de entendimento’. Ou seja, a crença de que você compreende mais do que realmente compreende, de que considerou todas as possibilidades quando não considerou, e de que seu julgamento é objetivo quando, na verdade, está sendo moldado pelo sistema do qual você depende. Essas ilusões são invisíveis para quem as experimenta e isso que torna tão difícil qualquer resposta institucional.”
Do original: “The critical near-term risk is not that AI makes people less intelligent in any simple sense. It is that it creates what researchers call ‘illusions of understanding’. That is the belief that you understand more than you do, that you have considered all possibilities when you haven’t, and that your judgement is objective when it is being shaped by the system you are relying on. These illusions are invisible to those experiencing them, which is what makes institutional responses so difficult.”
O texto também alerta para um possível colapso silencioso na formação de especialistas. Profissionais iniciantes tradicionalmente aprendem executando tarefas repetitivas, desenvolvendo repertório, senso crítico e experiência prática ao longo do tempo. Mas, se a IA assume essas etapas fundamentais, o processo de amadurecimento intelectual pode ser interrompido. O resultado seria uma geração altamente dependente de sistemas automatizados e com menor capacidade de análise.
Segundo ele, existe um risco real de empobrecimento cognitivo coletivo. Quanto mais a sociedade delega esforço mental às máquinas, menos exercita as capacidades que sustentam criatividade, julgamento e pensamento independente. A eficiência cresce, mas a autonomia intelectual pode diminuir.
Para Slater
"Estamos trocando o pensamento profundo por respostas rápidas sem perceber o custo disso para a memória e a capacidade de julgamento".
Do original: "We’re trading deep thinking for quick answers without realising the cost to memory and judgment."
Acesso completo ao artigo original:
https://www.bailliegifford.com/en/global/all-users/insights/ic-article/2026-q1-ai-isn-t-coming-for-your-job-it-s-coming-for-your-mind-10061431/
